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Bernie, o chefe de todos

Postado por Thiago Raposo quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Esse é o 4º capítulo do especial Bernie Ecclestone, parceria do Café com F1 com o Faster F1.

Era uma vez a época em que o dinheiro dos direitos de TV eram divididos por todos os times, mas, sem alguém à frente nas negociações, não era algo lucrável. E, entre os dirigentes, estava Ecclestone, que espertamente percebeu a mina de ouro que estava sendo deixada de lado.

Primeiramente, o dirigente trabalhou para se tornar uma liderança entre os chefes de equipe. Presidiu a FOCA (equivalente à FOTA de hoje) e usou a crise do início dos anos 1980, causado pelo racha entre equipes e a FIA, para assumir de vez o controle do dinheiro, e fazer da F1 um negócio.


Bernie encontrou em Max o jurista de que precisava para levar suas ideias adiante e bater Balestre

O racha começou por um desentendimento entre times que usavam o efeito-solo e aqueles que tinham um motor maior e mais potente, o que não permitia que a novidade aerodinâmica fosse utilizada. Trocando em miúdos, a briga foi entre os garagistas ingleses e a já toda poderosa Ferrari, que conseguia mais dinheiro dos organizadores devido a sua tradição e representatividade.

Ecclestone, junto de seu grande aliado, que lhe deu o alicerce jurídico, Max Mosley, chegou a formar uma nova categoria, numa queda de braço com o então presidente da FIA, Jean-Marie Balestre. Mas o pouco interesse gerado acabou sendo um alerta para todos de que a união seria o melhor caminho.

O acordo final foi costurado em 1987, no primeiro Pacto da Concórdia. Quando foi decidido que a parte comercial – acordos com TVs e organizadores – teria que ser terceirizada, Ecclestone logo passou a Brabham para frente e criou o Formula One Promotions and Administration, uma espécie de departamento de marketing da F1. Com alguém no comando, podendo gerar contratos mais rentáveis, os times aceitaram ficar com 1% do dinheiro da TV, cedendo 50% para a FIA. O restante, claro, ficava com Ecclestone, assim como as comissões dos organizadores – que passaram a ser revertidos, parcialmente, aos times em forma de prêmios. Anos depois, a FOPA se tornou FOM.


Bernie se apoiou nas queixas dos garagistas ingleses, como Ken Tyrrell, para se estabelecer como líder

Claro que os times começaram a chiar, ainda mais quando a FIA, em 1995, já presidida por Mosley, decidiu garantir à FOM os direitos comerciais por mais 14 anos. O novo Pacto da Concórdia, de 1997, acabou saindo depois de muita resistência. Não é de se estranhar qual a definição que Bernie tem para sua função. “Pediram-me para escrever qual meu trabalho e eu disse: sou um bombeiro. Embora muita gente ache que eu começo mais incêndios que apago…”

O dirigente diz não acreditar em sorte. “O que você tem que fazer é, quando a oportunidade se apresentar, aproveite. Muitas pessoas vivem dizendo ‘deveria ter feito isso ou aqui’. Eu aproveitei oportunidades. Eu só faço o que acho que tenho que fazer. Se você me der uma tarefa, farei o máximo que puder por você. Isso é ser bem sucedido?”, pergunta o inglês.

Nos anos seguintes, Ecclestone usou uma tática parecida com aquela dos dias de vendedor de carros e vendeu as ações da FOM, em transações que pararam até em tribunais. Alguns prejuízos e muitas vendas depois, adivinhe quem está no controle de tudo, ainda que, oficialmente, a acionista majoritário seja a empresa CVC Capital Partners?


Em meio a tantos negócios, Ecclestone casou só depois dos 50 anos, em 1984, com a ex-modelo croata Slavica, e teve duas filhas, Tamara e Petra. Separaram-se em 2008, oficialmente devido à carga de trabalho de Bernie, no divórcio mais caro da história da Inglaterra

O curioso é que, aos 80 anos e bilionário, Ecclestone continua o mesmo, aquele que faz as coisas acontecerem. “Eu gosto do que estou fazendo – do contrário não o faria. Tenho sorte o bastante para poder ter tido essa escolha. Se não quisesse, não faria. Mas continuo para ter certeza de que as coisas estão bem cuidadas. É o mesmo com um ovo frito ou um contrato. Se achasse que não consigo fazer direito, não faria.” E o dinheiro? “Nunca fiz nada por dinheiro. Ele é um resultado do que faço. Desde quando comecei. Tinha um negócio de sucesso aos meus 20 anos. O que me motivava era conseguir boas negociações – não ganhar dinheiro. O dinheiro vem dos bons negócios, o que muita gente não entende.”

É impossível pensar de forma mais pragmática que ele: colocaram-no na função de tornar a F1 altamente rentável e ele o fez. Valores como esportividade e igualdade não lhe interessam – em resposta a isso, costuma dizer que “não somos comunistas”. Ecclestone não é do tipo que perde tempo pensando no que poderia ter sido. É tudo preto e branco para ele. “Não tenho ídolos porque não dá para dizer que você gostaria de ser outra pessoa. Eu gostaria de ser Robert Redford se fosse possível, mas não é.”

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