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Os tempos de vitórias e farpas entre Prost e Senna

Postado por Thiago Raposo quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Honda, que era parceira da Williams em 1987, deixou a equipe, que se recusou a colocar um piloto japonês em seu cockpit, para ir para a McLaren em 1988. O francês Alain Prost, então bicampeão e piloto da McLaren, convenceu Ron Dennis a assinar um contrato de três anos com o jovem brasileiro Ayrton Senna, que já tinha experiência com os motores Honda por correr na Lotus em 87. Começava assim uma das maiores rivalidades que a categoria já viu.


Em 1988, carro vencedor, pilotos brilhantes e muitos sorrisos na McLaren

O campeonato começou como se esperava, com vitória de Prost no Brasil. No entanto, a segunda prova foi vencida por Ayrton Senna, empatando a briga. Vieram depois duas vitórias seguidas do francês, respondida também com duas consecutivas do brasileiro. O domínio era total da equipe inglesa e não havia motivos para se falar em beneficiamento de um ou de outro. Tanto que, das 16 provas da temporadas, eles perderam apenas uma, na Itália, para a Ferrari – Senna liderava quando colidiu com o retardatário Jean-Louis Schlesser. E disso Dennis não se esquece. “No final da temporada, recebi um telefonema do executivo-chefe do meu patrocinador principal (Malboro) dizendo que seria do interesse do esporte que eu começasse a perder algumas corridas. Isso me surpreendeu muito. E posso dizer que ele estava falando absolutamente sério. Ele me dizia que aquilo não era bom, que eu deveria dar chance a outras pessoas. Até parece que isso ia acontecer”.

Apesar da disputa, inicialmente o clima entre os dois era saudável, e muito disso teve a mão do chefe, que fazia com que ambos deixassem a disputa para a pista. No entanto, os estilos completamente diferentes de ambos deixava claro que o conto de fadas não duraria muito.


Já um ano e um trato quebrado depois...

Em 1989 a história mudou, assim como o comportamento de Ron Dennis frente à briga dos dois. O domínio ainda era grande da Mclaren, mas não tanto como em 88. Desta vez perderam seis corridas das 16 do ano. Já no 2º GP, o clima amistoso entre Senna e Prost foi para os ares. Como eles tinham carros superiores aos outros, se deram ao direito de fazerem um acordo. Depois da largada, o que saísse pior não atacaria o outro até a primeira curva, para evitar acidentes desnecessários entre eles.

Em San Marino, Senna saiu na pole, mas uma batida de Gerhard Berger interrompeu a prova, que teve nova largada. Desta vez, Prost saiu melhor e assumiu a ponta, mas Senna o ultrapassou antes da 1ª curva e partiu para a vitória. Prost o acusou de ter quebrado o pacto e o clima entre os dois nunca mais foi o mesmo. Prost também começou a acusar Ron Dennis e a Honda de ficarem do lado do brasileiro: “enquanto tenho apenas um carro e de 4 a 5 mecânicos, meu companheiro tem dois carros e cerca de 20 pessoas trabalhando ao redor dele”. Dennis promovia sorteios, daqueles com pedacinhos de papel colocados num boné, dando número aos motores e fazendo um pilotos escolhessem o seu.

A gota d’água foi no Japão, no fim do ano. Por ter sofrido sucessivas quebras, Senna precisava vencer de qualquer maneira para se manter vivo no campeonato. Como todos sabem, Prost acabou jogando o carro em cima do brasileiro, que depois de conseguir voltar e vencer, foi desclassificado por um argumento descabível. Neste momento era claro com quem estava Ron Dennis. O chefe da equipe tentou de todas as formas reverter o resultado, mesmo sem precisar, pois seu outro piloto garantia o título com o resultado. Coube a Prost transferir-se para a Ferrari em 1990, onde se desentendeu com Nigel Mansell e em 1991 acabou expulso da equipe, no meio da temporada, por criticá-la abertamente, chegando a chamar o carro de “carroça”. Foi para a poderosa Williams e proibiu que Senna fosse seu companheiro.



Mesmo ganhando os campeonatos de 1990 e 1991, Senna estava infeliz com a perda dos motores Honda – a equipe usou o Ford em 1993 – e com o fato da McLaren não estar mais conseguindo acompanhar o ritmo de desenvolvimento da Williams. Chegou a assinar contratos por corridas, por não querer se comprometer pela temporada inteira, o que deu muita dor de cabeça para Dennis. Com a morte do brasileiro, meses depois de ter deixado a equipe, a relação dos dois acabou estremecida. “Quando olho para trás acho que nós estávamos dando um tempo. Ele tinha sido muito duro e era hora de seguir em frente. Mas não tenho dúvida alguma de que, sob circunstâncias diferentes, Ayrton teria terminado sua carreira na McLaren.”

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