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Enzo Ferrari se vai em 1988, mas a paixão não morre

Postado por Thiago Raposo quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Enzo Ferrari não devia estar gostando do que via naquele 1988, então aos 90 anos. Em 14 de agosto, deixou órfã sua equipe sem ter a oportunidade de ver uma salvadora vitória em Monza, a única que escapou das mãos das McLaren Honda de Senna e Prost naquele ano. Uma rara dobradinha, nos obscuros anos 1980 da Scuderia.

Na época, Enzo já não era um líder tão ativo e já não comparecia à maioria das corridas, mas fazia questão de manter-se fiel a seus princípios: o que dizer de um homem cujos funcionários tinham medo de sequer mencionar que faltava potência nos propulsores Ferrari nas reuniões com o chefe? Se um piloto reclamava, provavelmente a crítica não chegada ao chefe, que costumava dizer que “aerodinâmica é coisa de quem não sabe fazer motor”.



Essa era sua marca: era um líder presente e implacável. “O Commendatore queria saber tudo e todas as decisões – favorecer este e aquele piloto, exercer pressão sobre aquele membro da equipa – eram tomas apenas e só por ele. Quase todos os problemas tiveram problemas com essa situação. Hawthorn, Behra, Surtees. Hill, entre outros, abandonaram a equipa por motivos pessoais. Outros, como De Portago, Collins, Bandini, estavam sob grande pressão quando tiveram os seus acidentes fatais”, contou o fotógrafo Bernard Cahier, que ra próximo de Ferrari. “Ele vivia em Maranello como um Imperador. Quando não tinha muito interesse em receber alguém, fazia o esperar durante duas horas ou mais, sem razão aparente. Até o Rei da Bélgica passou por isso… A sala dele era pontada de branco e não tinha decoração, para além de umas cadeiras e uma mesa. Uma vez disse-me, na brincadeira, que ia fazer uma placa de homenagem ao visitante desconhecido, encontrado morto na sala de espera!…”

O velho comendador já podia ir-se em paz: sua missão de criar um império construindo carros de corrida e verdadeiras obras de arte para alguns abonados e sonhos para os demais mortais estava mais que cumprido. Mesmo os anos de seca não arrefeceram a paixão dos torcedores, que acabaram sendo conhecidos simplesmente como tifosi, embora a palavra italiana sirva apenas para designar o torcedor, de qualquer esporte.


O Comendador morreu aos 90 anos, em 1988

A Ferrari se tornou ao longo dos anos um símbolo de uma Itália que poderia ser diferente da realidade caricata da política do país, da economia trepidante, da impunidade. É um toque de arte de um povo conhecido pela atenção aos detalhes, seja de esculturas e quadros, sapatos e alfaiataria, e pelo bom gosto no design.

E não é uma paixão que se resume aos amantes dos carros. A Ferrari é uma das marcas mais consolidadas no mundo, e não dá mostras de declínio. Em janeiro desde ano, a empresa ficou em 1º lugar na Itália e em 3º lugar no mundo numa classificação por “Texto 100”, que investiga citações em blogs, comunidades e espaços abertos na Internet, ficando apenas atrás do Google e da Coca-Cola

Enzo convenceu os italianos – e, com eles, muita gente ao redor do mundo – de que seus carros têm alma, que são mais que puras máquinas. A Scuderia, então, tornou-se algo sagrado. O piloto que quer ganhar o coração dessa família precisa, antes de tudo, colocar-se abaixo dela, repetir a cada momento que ela é diferente e nunca, sob hipótese alguma, deve deixar transparecer que não deu 200% de si dentro daquele carro.

Mesmo que a equipe tenha ganhado embates políticos por baixo do pano, tenha sido beneficiada por acordos comerciais e seja um constante empecilho à democracia na F1, ninguém em sã consciência quer imaginar a categoria sem o império dos sonhos de Enzo Ferrari.

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